ESG e o modelo de negócio das empresas




A sigla ESG refere-se a abreviatura de Meio Ambiente, Social e Governança em inglês. Em outras palavras, significa que se a empresa adota as Políticas ESG, ela se preocupa em ter boas políticas e procedimentos robustos para preservar o meio ambiente, agir com responsabilidade social e ter um Sistema de Governança eficaz também.


Teoricamente, adotar práticas de ESG significa ter uma organização mais responsável, engajada e comprometida com questões sociais e ambientais, ao mesmo tempo em que mantém um excelente sistema de Governança. No entanto, as organizações têm feito um grande esforço para obter certificados ESG, a fim de ter mais acesso ao capital barato. Como algumas dos fundos de investimentos americanos e europeus mais importantes decidiram apoiar projetos de ESG e empresas ESG, a maioria das empresas listadas decidiu obter certificados ESG.


O frenesi do mercado para se tornar um modelo de ESG de um dia para o outro e ter acesso a dinheiro barato criou uma corrida para o paraíso do ESG. Em vez de procurar uma mudança consistente em sua mentalidade e em sua cultura organizacional, a maioria das empresas está preocupada em encontrar uma organização de renome para emitir um certificado ESG para elas. Portanto, empresas desconhecidas como a MSCI tornaram-se organizações respeitáveis, permitindo que as empresas de nível 1 fossem reconhecidas como modelos de ESG por meio de sua auditoria e classificação. Isso só foi possível devido ao frenesi descontrolado do mercado e ao apetite por soluções mágicas ESG. Esta é a onda do ESG.


O problema da corrida para o paraíso do ESG são os equívocos e as distorções em relação ao conceito original do ESG. As métricas do ESG mudam de um escritório de auditoria para outro. Os critérios são completamente diferentes em alguns casos. Além disso, as distorções têm se tornado mais evidentes desde que os ativistas começaram a tirar proveito dessa agenda. Assim, movimentos globalistas têm tentado influenciar as melhores práticas do ESG que tentam impor suas próprias agendas.


Preservar o meio ambiente é conter as emissões de carbono, reduzir o descarte de resíduos, reciclar lixo, etc... O problema é que as empresas que tentam fazer o seu melhor costumam também adotar práticas ilógicas, como reduzir o plástico gasto em suas embalagens sem considerar que o novo pacote não é forte o suficiente para apoiar o processo de transporte. Como consequência, o número de perdas e de pacotes danificados dispara. No final do dia, veremos o número de gasto com embalagens plásticas aumentar substancialmente. Certamente, a empresa fez um esforço bem-intencionado, mas sem alcançar nenhum resultado prático, muito pelo contrário.


Uma forma de se atuar com responsabilidade social é ter representantes de diferentes espectros da sociedade ocupando os diferentes cargos da empresa. A ideia e a intenção por trás desta afirmação são completamente plausíveis. O problema é viabilizar sem causar mais efeitos colaterais do que resultados positivos. O número de grupos menores é tão grande que é impossível criar uma política para acomodá-los sem criar mais distorções para toda a organização. Até mesmo rastreá-los corretamente é quase impossível. Se você der concessões para a minoria afrodescendente, você será injusto com a minoria muçulmana. Se você der concessão à minoria muçulmana, você será injusto com a minoria asiática. Além disso, a organização destruirá a meritocracia. Meritocracia ainda é uma das políticas mais justas existentes no mundo.


Para ter um Sistema de Governança eficaz, as empresas precisam adotar as melhores práticas de Governança disponíveis no mercado, proporcionando transparência e uma gestão competente. As práticas de governança devem estar bem integradas aos processos atuais existentes na empresa. Ao mesmo tempo que esse controle significa resultados mais previsíveis, menos volatilidade e menos perdas; implementar controle significa mais custos e mais impactos no desempenho.


Recentemente, os practicionários do ESG tornaram-se cada vez mais vocais. Com isso, temos enfrentado algumas práticas de ESG sendo forçadas sem considerar suas reais consequências para algumas organizações. A abordagem ocidental que conduz os processos de implementação do ESG não é bem-vindas em outras culturas. A implementação de práticas de diversidade pode ser muito bem-vinda nas sociedades ocidentais, mas são completamente inviáveis em alguns países muçulmanos.


De qualquer forma, apesar dos benefícios da implementação do ESG, as empresas precisam ser críticas sobre como querem fazê-lo. As empresas precisam entender, não importa a importância do ESG ou qualquer outra prática a ser adotada, o ativo mais importante a ser preservado é o seu modelo de negócio. Qualquer nova prática a ser adotada deve ser submetida a uma análise muito crítica, a fim de verificar como ela pode impactar o modelo de negócios da empresa. O modelo de negócio é a principal razão para uma empresa sobreviver. O modelo de negócio da empresa permitiu que a empresa alcançasse seu nível atual. Assim, implementar novas práticas sem levá-la em consideração pode degradar ou mesmo destruir seu modelo de negócio.


O melhor curso de ação a ser adotado é realizar uma análise crítica muito detalhada para decidir quais procedimentos fazem sentido para a organização antes de implementar qualquer nova prática. As ideologias tendem a ser boas para criar plataformas políticas, mas não para ajudar as empresas a ganhar dinheiro. A mesma regra é válida para qualquer tipo e para qualquer tamanho de organização. As empresas precisam entender que seus modelos de negócios são sua estrutura estratégica fundamental e deve ser preservada.



Nelson Ricardo possui 53 anos, é oficial superior da reserva do exército, é profissional com experiência na área de Gestão de Riscos e que possui MBA na Manchester Business School (UK) e Curso de Gestão de Riscos na Harvard Business School (US). Foi Conselheiro da Cruz Vermelha Brasileira. Possui experiência como top executivo em empresas de grande porte como Accenture. Foi oficial de Planejamento e Operações na Organização das Nações Unidas no Haiti. Atualmente, é membro do Institute of Risk Management (UK), autor de diversos livros de gestão de riscos, co-criador da metodologia Análise de Riscos Parametrizada e Socio da ARP Digital Consulting.


 































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